O Sr. Seeley trancou-se na cabine telefônica. Ele tinha um pequeno problema a resolver com T. J. Tinglefooter & Co.
"Raymond 9-4000," ele disse para o operador.
"Boa tarde," saudou-o uma voz suave. "T. J. Tinglefooter & Co."
"Cerca de três dias atrás," disse o Sr. Seeley, "minha esposa comprou farinha na loja de vocês..."
"Apenas um momento, senhor," a voz suave disse, "Eu vou conectá-lo ao departamento da mercearia."
"Boa tarde. Departamento da mercearia, T. J. Tinglefooter & Co.," disse uma outra voz suave.
"Sim," disse o Sr. Seeley. "Eu quero falar sobre um pacote de farinha que minha esposa comprou..."
"Qual é o nome, por favor?"
"Sr.ª F. D. Seeley. S-E-E-L-E-Y. Avenida Crosswood, 479, Bronxville, Nova York. Esta farinha que vocês entregaram, ela tem gorgulhos."
"O senhor quer registrar uma reclamação?"
"Certamente que sim," disse o Sr. Seeley. "Ela tinha gorgulhos!"
"Só um momento, senhor. Eu vou estar conectando-o com o departamento de reclamação."
"Boa tarde," disse o departamento de reclamação, "T. J. Tinglefooter & Co."
"Este é o departamente de gorgulhos?" perguntou o Sr. Seeley.
"Perdão, senhor."
"Eu encomendei um pacote de farinha com a sua gente e ela veio toda embolorada ou algo assim. Ela tinha gorgulhos e eu quero..."
"Poderia soletrá-lo, por favor?"
"Gorgulhos. G-O-R-G-U-L-H-O-S," soletrou o Sr. Seeley.
"E qual a natureza da reclamação, Sr. Gorgulhos?"
"Gorgulhos! Este não é o meu nome! Meu nome é Seeley. S-E-E-L-E-Y. Avenida Crosswood, 479, Bronxville, Nova York."
"E as iniciais?"
"F. como em Frank, D. como em David."
"Obrigado. Qual é o seu endereço residencial, por favor?"
"Eu acabei de dá-lo a você. Avenida Crosswood, 479, Bronxville, Nova York. Você sabe né, quatro como em um, dois, três, quatro. Sete como em um, dois, três, quatro, cinco, seis..."
"Quatro, sete, inove avenida Crosswood. Obrigado. E a cidade, por favor?"
"Bronxville. Bronxville. E a menos que estes gorgulhos tenham-na carregado pra longe, ela está no estado de Nova York."
"Só um momento, Sr. Seeley. O senhor não recebeu a mercadoria que o senhor comprou?"
"Recebi!" gritou o Sr. Seeley. "A coisa estava entupida de larvas de gorgulho. Estava estragada, entende? Estragada. Ela tinha gorgulhos!"
"O senhor deseja um reajuste?"
"Eu certamente desejo!" o Sr. Seeley secou com um pano o suor na sua face."Eu não encomendei gorgulhos. Eu encomendei farinha."
"Só um momento, senhor. Eu vou estar conectando-o com o departamento de reajuste."
"Boa tarde. Departamente de reajuste, T. J. Tinglefooter & Co." As vozes estavam ficando mais suaves.
"Eu tenho gorgulhos," disse o Sr. Seeley desoladamente.
"Desculpe-me, senhor. Qual departamento o senhor deseja?"
"Eu não sei. O negócio é o seguinte. Minha esposa encomendou farinha, mas ela tinha gorgulhos e larvas rastejando por toda parte e eu liguei para ver se..."
"Posso saber o seu nome, por favor?"
"F. D. Partamento."
"Seu endereço residencial?"
"Avenida Bronxwood, 794."
"Sua cidade?"
"Crossville."
"Seu estado?"
"Extremamente mal." Sr. Seeley raramente recorria à blasfêmia.
"Desculpe-me. Que número o senhor ligou?"
"Nova York."
"Obrigado. Qual a natureza da reclamação?"
"Veja bem, minha esposa comprou o mais amável saco de farinha jamais visto. Ele estava enrolado num lindo papel branco e nós mal conseguíamos esperar para abri-lo. E o que você supõe que nós encontramos no nosso amável saco de farinha? Larvas de gorgulho, sórdidas e rastejantes larvas de gorgulho." Sr. Seeley tremeu à mera lembrança.
"A mercadoria não foi recebida em perfeitas condições? Muito bem. Que reajuste o senhor deseja?"
"Eu quero que vocês me enviem," disse o Sr. Seeley fatigado, "um pouco mais de farinha sem imperfeições rastejando por ela."
"Apenas um momento, senhor. Eu vou estar transferindo o senhor para o departamento de encomendas..."
O Sr. Seeley deixou a cabine telefônica e foi pescar.
Tradução e Adaptação
Denilo de S. Santos
Título original: Complaint Department
Autora: Katherine Best
Katherine Best é uma colunista cujas estórias têm aparecido em muitas publicações americanas e coletâneas humorísticas. Ela escreve sobre as dificuldades cômicas encontradas nas experiências do dia a dia. Este conto, extraído de uma coletânea chamada The Family Book of Humor (1958), ilustra uma dificuldade em lidar com uma grande loja e seus departamentos.
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