mUNdO dE PonTA CabEÇa…

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

  voce me mostrou mais da vida
me mostrou o que é arriscar
me mostrou que posso ser mais do que sou
me aprumou e me enfeitou
arrumou meus cabelos
me engomou
só pra poder desfazer tudo num instante depois
agora quero segurar tua mão
sem medo
me deixar levar por tudo isso que é

rabisco par romantico


que é voce e que sou eu
serei como um bebe
sob os cuidados de um ser mais poderoso que eu
sob as aventuras de uma gata arisca
sob as carícias de uma menina-mulher
sob os desejos de um louco apaixonado
sob as asas desse anjo que me arrasta
e mesmo que pareça perigoso
sei que não me fará mal algum
e quem sabe um dia a gente viva tudo isso
não duma só vez
mas pouco a pouco
sentindo o aroma
sentindo o sabor
sentindo a cor
sentindo o travo
sentindo o romance
e eu serei com voce
serei como voce
serei voce
afinal não seremos dois
e aí será minha vez
meu turno
de te cuidar
te arrumar
te aprumar
te engomar
e te fazer feliz
como me tem feito


desde a primeira vez!

 


                                                                                                   Denilo Santos

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Departamento de Reclamação - Katherine Best

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O Sr. Seeley trancou-se na cabine telefônica. Ele tinha um pequeno problema a resolver com T. J. Tinglefooter & Co.
"Raymond 9-4000," ele disse para o operador.
"Boa tarde," saudou-o uma voz suave. "T. J. Tinglefooter & Co."
"Cerca de três dias atrás," disse o Sr. Seeley, "minha esposa comprou farinha na loja de vocês..."
"Apenas um momento, senhor," a voz suave disse, "Eu vou conectá-lo ao departamento da mercearia."
"Boa tarde. Departamento da mercearia, T. J. Tinglefooter & Co.," disse uma outra voz suave.
"Sim," disse o Sr. Seeley. "Eu quero falar sobre um pacote de farinha que minha esposa comprou..."
"Qual é o nome, por favor?"
"Sr.ª F. D. Seeley. S-E-E-L-E-Y. Avenida Crosswood, 479, Bronxville, Nova York. Esta farinha que vocês entregaram, ela tem gorgulhos."
"O senhor quer registrar uma reclamação?"
"Certamente que sim," disse o Sr. Seeley. "Ela tinha gorgulhos!"
"Só um momento, senhor. Eu vou estar conectando-o com o departamento de reclamação."
"Boa tarde," disse o departamento de reclamação, "T. J. Tinglefooter & Co."
"Este é o departamente de gorgulhos?" perguntou o Sr. Seeley.
"Perdão, senhor."
"Eu encomendei um pacote de farinha com a sua gente e ela veio toda embolorada ou algo assim. Ela tinha gorgulhos e eu quero..."
"Poderia soletrá-lo, por favor?"
"Gorgulhos. G-O-R-G-U-L-H-O-S," soletrou o Sr. Seeley.
"E qual a natureza da reclamação, Sr. Gorgulhos?"
"Gorgulhos! Este não é o meu nome! Meu nome é Seeley. S-E-E-L-E-Y. Avenida Crosswood, 479, Bronxville, Nova York."
"E as iniciais?"
"F. como em Frank, D. como em David."
"Obrigado. Qual é o seu endereço residencial, por favor?"
"Eu acabei de dá-lo a você. Avenida Crosswood, 479, Bronxville, Nova York. Você sabe né, quatro como em um, dois, três, quatro. Sete como em um, dois, três, quatro, cinco, seis..."
"Quatro, sete, inove avenida Crosswood. Obrigado. E a cidade, por favor?"
"Bronxville. Bronxville. E a menos que estes gorgulhos tenham-na carregado pra longe, ela está no estado de Nova York."
"Só um momento, Sr. Seeley. O senhor não recebeu a mercadoria que o senhor comprou?"
"Recebi!" gritou o Sr. Seeley. "A coisa estava entupida de larvas de gorgulho. Estava estragada, entende? Estragada. Ela tinha gorgulhos!"
"O senhor deseja um reajuste?"
"Eu certamente desejo!" o Sr. Seeley secou com um pano o suor na sua face."Eu não encomendei gorgulhos. Eu encomendei farinha."
"Só um momento, senhor. Eu vou estar conectando-o com o departamento de reajuste."
"Boa tarde. Departamente de reajuste, T. J. Tinglefooter & Co." As vozes estavam ficando mais suaves.
"Eu tenho gorgulhos," disse o Sr. Seeley desoladamente.
"Desculpe-me, senhor. Qual departamento o senhor deseja?"
"Eu não sei. O negócio é o seguinte. Minha esposa encomendou farinha, mas ela tinha gorgulhos e larvas rastejando por toda parte e eu liguei para ver se..."
"Posso saber o seu nome, por favor?"
"F. D. Partamento."
"Seu endereço residencial?"
"Avenida Bronxwood, 794."
"Sua cidade?"
"Crossville."
"Seu estado?"
"Extremamente mal." Sr. Seeley raramente recorria à blasfêmia.
"Desculpe-me. Que número o senhor ligou?"
"Nova York."
"Obrigado. Qual a natureza da reclamação?"
"Veja bem, minha esposa comprou o mais amável saco de farinha jamais visto. Ele estava enrolado num lindo papel branco e nós mal conseguíamos esperar para abri-lo. E o que você supõe que nós encontramos no nosso amável saco de farinha? Larvas de gorgulho, sórdidas e rastejantes larvas de gorgulho." Sr. Seeley tremeu à mera lembrança.
"A mercadoria não foi recebida em perfeitas condições? Muito bem. Que reajuste o senhor deseja?"
"Eu quero que vocês me enviem," disse o Sr. Seeley fatigado, "um pouco mais de farinha sem imperfeições rastejando por ela."
"Apenas um momento, senhor. Eu vou estar transferindo o senhor para o departamento de encomendas..."
O Sr. Seeley deixou a cabine telefônica e foi pescar.

Tradução e Adaptação
Denilo de S. Santos

Título original: Complaint Department
Autora: Katherine Best
Katherine Best é uma colunista cujas estórias têm aparecido em muitas publicações americanas e coletâneas humorísticas. Ela escreve sobre as dificuldades cômicas encontradas nas experiências do dia a dia. Este conto, extraído de uma coletânea chamada The Family Book of Humor (1958), ilustra uma dificuldade em lidar com uma grande loja e seus departamentos.

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[Sem título]

sábado, 21 de novembro de 2009

Bem, o que pensar da vida
que é feita de escolhas;
que não é para sempre;
que tem pedras pelo caminho;
que é o bem maior;
e o que mais?
Fazer o que quiser.
Será essa a melhor filosofia?
Será essa a melhor metodologia?
Será essa a melhor desculpa pra não sofrer?
Sofrer, sofrimento...
O que seria da vida sem ele.
É assim que se aprende coisas novas, errando.
Errar, erros...
É o lado oposto dos acertos,
não se caminha sem eles,
são como yin e yang,
como o amor e o ódio!
Não, não há amor sem o ódio.
Eles são os dois lados duma mesmíssima moeda,
que não se deve desperdiçar,
mas também não se deve racionar,
dentro do colchão,
dentro da carteira,
dentro do bolso,
senão um dia o bolso fura,
ela cai na rua,
e outro a achará e levará consigo,
a sua vida?
Não, o seu amor.
Sim, que faz parte da vida.
Ou pretende viver sem amor?
Assim tornar-se-á a pessoa mais amarga,
e ninguém terá prazer a seu lado.
Prazer...
é o que se almeja na vida,
é o que se busca a todo instante,
é a ideia que não se perde entre os avanços da civilização,
mesmo a das ágrafas,
é o que você procura ao olhar de esguelha para aquele na rua,
ah, não diga que não,
todo mundo já sabe,
não se apegue à privacidade.
Privacidade...
feche a vida ao redor de grossas paredes,
de grossas grades de chumbo,
de grossas palavras proferidas,
a parede nem sempre é de concreto.
Concreto...
o que é concreto na vida,
se um dia a gente some,
vira pó, areia, adubo, sei lá o quê...
Luta-se por tudo mas leva-se nada!
E enfim o nada,
seria essa a palavra,
a palavra que...
não, a vida pode ser tudo menos nada,
que que você acha,
é só esperar e puff,
o nada vira tudo.
E tudo acontece.
Acontece...

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Por que os maridos são covardes? - Art Buchwald

sábado, 7 de novembro de 2009

Nós fomos assistir “Hello, Dolly”, o mais novo musical com Carol Channing que começou as apresentações em Washington antes de ir para Broadway.
Apesar de só ter elogios a dizer sobre o elenco, a música, as roupas e o espetáculo, eu não posso dizer o mesmo da platéia, particularmente a dama que estava sentada atrás de nós. Ela não apenas dava seu melhor para arruinar nosso espetáculo, mas ela quase acabou com nosso casamento.
A dama acabou por se tornar uma daquelas faladoras compulsivas que sempre parecem adivinhar quais os lugares que nós compramos e então compram exatamente os assentos atrás dos nossos.
Esta dama amava o espetáculo. Toda vez que a Senhorita Channing cantava uma música, ela comentava com seu marido. “Não é maravilhoso?” “Ela não é meiga?” “Ó, que roupa maravilhosa”. E assim por diante. Antes que o primeiro ato acabasse eu já estava subindo pelas paredes, o que é muito difícil em qualquer teatro.
“Ela está me deixando louco,” disse à minha esposa.
“Não faça nenhuma loucura,” minha esposa me advertiu.
“Eu poderia matá-la,” eu disse “Isto não é loucura.”
“Comporte-se,” ela disse ameaçadoramente.
Assim que a cortina do primeiro ato caiu e nós fomos para o saguão de entrada, eu disse a minha esposa, “Eu vou soltar os cachorros nela.”
“Você não deve,” ela disse.
“Por que não?”
“Você vai me deixar envergonhada.”
“Como vou te deixar envergonhada se eu mandá-la, a ela, calar a boca? Ela vai pensar algo de ruim de você se eu mandá-la ficar quieta?”
“Você vai armar um barraco,” ela disse.
“Esta mulher está estragando o espetáculo pra cada uma das pessoas ao nosso redor. Se eu disser algo, todos vão ficar agradecidos. Eu poderia ser um herói.”
“Se você disser alguma coisa, você vai estragar o espetáculo para mim.”
“E seu eu não disser nada, vou arruiná-lo pra mim mesmo. Por que as mulheres sempre têm medo que seus maridos as façam se sentir envergonhadas? Se você visse aquela mulher numa loja em liquidação, você nem hesitaria em derrubá-la para chegar ao caixa. Por que você a está defendendo num teatro?”
“Ela provavelmente não consegue se controlar,” disse minha esposa, irritada.
“Nem eu consigo. Você acha que o marido dela vai mandá-la calar a boca!”
“Você me mandaria calar a boca se eu falasse durante o espetáculo?”
“Certamente que sim,” eu disse.
“Isso mostra os bons modos que você tem.”
“O que isso tem a ver com a mulher atrás de nós?”
“Eu não ficaria surpresa que se você dissesse alguma coisa pra ela, ela lhe desse um tapa na cara.”
O sinal tocou e todos nós retornamos aos nossos lugares.
Assim que a Senhorita Channing apareceu, a mulher começou tudo de novo.
Eu me virei e disse, “A senhorita poderia, por favor, calar a boca para que o resto de nós possa curtir o espetáculo?”
A mulher ficou branca, mas não tanto quanto minha esposa.
“George, este homem me insultou,” a mulher disse a seu marido.
“Agora você se encrencou,” minha esposa sussurrou.
O marido parecia ter quase dois metros e pesar uns 90 quilos. Depois do espetáculo nós nos levantamos e começamos a seguir a fileira entre os assentos e ele nos seguia. Assim que nós chegamos à porta ele me virou em sua direção e me ofereceu a sua mão. “Muito obrigado senhor. Eu não teria a coragem de dizer-lhe aquilo.”


Tradução e Adaptação
Denilo de Souza Santos

Título original: Why husbands are cowards?
Informações sobre o autor, Art Buchwald, clique aqui.

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Sobre a Vida!

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?

Charles Chaplin.

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